PARTE INICIAL
Nesta parte
da sessão de treino o objectivo principal será a
preparação/adaptação fisiológica dos atletas para a exigência que a
parte principal determina.
Assim,
recorro a jogos e formas jogadas que, embora sirvam para atingir o
objectivo principal, terão também sempre uma componente técnica e
táctica bastante marcada. Esta componente servirá de ponte para
estabelecer uma relação de continuidade e de coerência com os
objectivos a atingir na globalidade da sessão de treino. Exige-se
portanto que a selecção de conteúdos seja alvo de uma atenção
bastante cuidada e, ao mesmo tempo, de uma intencionalidade notória
de modo a que a interligação entre conteúdos seja feita de uma
forma sequencial, sendo esta sequencialidade facilitadora das
aprendizagens a efectuar.
Os
exercícios elaborados deverão ser de uma exigência e de uma
complexidade crescentes (na fase inicial deverão ser evitadas
solicitações de grande amplitude muscular).
A duração
desta parte não deverá exceder os 20’ e, como referido
anteriormente, deverá promover uma intensidade
crescente.
PARTE PRINCIPAL
Parte da
sessão de treino onde o objectivo principal será a preparação dos
atletas para as exigências específicas que o modelo/matriz de jogo
adoptado encerra.
Nesta
secção do treino devemos trabalhar todos os aspectos
(técnicos/tácticos/físicos/psicológicos) que pretendemos ver
consagrados na nossa forma de jogar. Nunca trabalho estes factores
de forma isolada (nem nunca agi de forma diferente, embora à uns
anos atrás esta perspectiva de treino não fosse tão consensual como
hoje é); entendo o jogo de forma global e complexa, não
fazendo sentido, em minha opinião, compartimentar o jogo de forma
desligada do objectivo final que é: jogar melhor, no fundo
responder melhor, às questões que o jogo constantemente nos coloca.
Assim sendo, todas as situações práticas constantes no treino, têm
uma ligação directa com a matriz do “meu” jogo. Se
quero jogar pelas alas, não faz sentido criar situações de treino
em que a exigência e o objectivo não seja esse. Se defendo
individualmente tenho que ter em conta se a introdução de uma forma
jogada com superioridade faz sentido; pode fazer mas tenho que
limitar/adaptar as funções do “jocker”; se pretendo
privilegiar, por exemplo o factor físico, tenho que ter em conta a
dimensão do espaço onde o exercício se vai desenvolver, bem como o
número de jogadores intervenientes.
Por
outro lado, em todas as sessões de treino que promovo introduzo
sempre o jogo formal. Não entendo como se defende que os exercícios
propostos se devem aproximar o máximo possível do jogo e depois de
forma, para mim incompreensível, se exclui este que considero o
exercício mais completo. Podem perguntar: onde entra aqui o
importantíssimo princípio da especificidade? No jogo podemos e
devemos introduzir a(s) forma(s) como queremos que a nossa equipa
interprete os processos ofensivos e defensivos e aí poderemos
testar o nível de aquisição, por parte dos nossos atletas, dos
conteúdos específicos que tratamos na primeira fase da parte
principal. Por outro lado, tenho sempre em conta o número de horas
de que disponho para preparar a minha equipa; treinar três vezes
não será a mesma coisa que treinar oito vezes por semana; é obvio
que a forma de concretização da preparação da equipa seria outra se
o número de sessões de treino fosse maior, mas esta não é a minha
realidade nem será a da maioria das equipas do futsal nacional.
Em cada
sessão de treino devemos definir claramente os objectivos a
atingir, de modo a que os mesmos sejam claros e perceptíveis para
os atletas (se os responsáveis não perceberem o que querem, então
não podem exigir aos outros uma resposta
adequada).
Será
preferível definir objectivos gerais mais circunscritos, por sessão
de treino, subdividindo estes em vários objectivos
específicos.
Mais vale pouco e bem do que muito e
mal.
Nesta parte
o improviso não deve ter lugar!
IMPROVISO
NÃO TEM NADA A VER COM ADAPTAÇÃO!!!!!!!!!
PARTE FINAL
Parte da
sessão de treino onde o objectivo principal será o inicio da
recuperação do esforço resultante do trabalho executado na sessão
de treino (iniciada, porque a recuperação também se faz após o
treino!!!!!)
No inicio
desta fase do treino poder-se-á executar finalização pura; ex:
livres de 10 m sendo sempre fundamental proceder posteriormente aos
respectivos alongamentos. A recuperação após o esforço é um
trabalho que nunca deve ser descurado e os técnicos têm um papel
muito importante na concretização desta parte tão importante do
treino; uma boa recuperação é a chave do sucesso da sessão de
treino seguinte
Como regra
a adoptar devemos definir que os atletas só poderão ir para o duche
após execução de uma sessão de alongamentos/estiramentos, sendo
estes alvo de uma supervisão atenta, pelo menos na fase inicial da
época desportiva.
Brevemente falamos mais…