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Atitudes táticas elementares para atacar e defender em futsal  Inserido Thursday 29 May 2008 22:31

 

artigo do professor Wilton Carlos de Santana
 

      Duas questões básicas me interessam no início deste texto, ambas relacionadas à dimensão tático-estratégica do jogo de futsal:

      1ª) Qual é o objectivo de uma equipe quando de posse da bola?

      2ª) Qual é o objectivo de uma equipe quando está sem a posse da bola?

      Penso, sinceramente, que você não terá dificuldade para respondê-las. No primeiro caso, caberiam respostas como, por exemplo, "atacar", "fazer o gol", "procurar o gol", "envolver o adversário"; no segundo caso, "defender", "evitar o gol", "recuperar a bola", "criar obstáculos para o adversário". E se eu acrescentasse a questão "O que a equipe deverá fazer para alcançar isso?", o que você responderia?

      Antes de você, um professor francês, Claude Bayer (1992), num livro clássico, chamado "O ensino dos jogos desportivos colectivos", estabeleceu alguns princípios que servem como ponto de partida para que as equipes ataquem e defendam. Conheça-os:

 

      Esses princípios, segundo Bayer, são comuns aos esportes colectivos em geral (basquetebol, futebol, handebol etc.). Representam um "guia" para as equipes quando de suas pretensões tácticas.

      A esta altura do texto você já deve ter se apropriado, minimamente, de dois conhecimentos: o que queremos (objectivos) e o que precisamos respeitar (princípios) quando atacamos e defendemos. Daqui para frente interessam duas novas perguntas:

      1ª) O que se deve fazer em futsal para sustentar os princípios de ataque sugeridos por Bayer, isto é, conservar a bola, avançar (jogadores e bola) no espaço de jogo e finalizar contra a meta adversária?

      2ª) O que se deve fazer em futsal para sustentar os princípios de defesa sugeridos, isto é, recuperar a bola, impedir o avanço dos jogadores e da bola e proteger a meta?

      No que pese a complexidade das questões levantadas (que implicaria em respostas complexas!), sugerirei, a seguir, apenas quatro atitudes (acções) para atacar e outras quatro para defender. Chamá-las-ei de atitudes tácticas elementares (essenciais).

 

Atitudes para atacar

      Fugir do campo visual do adversário: significa desmarcar-se para receber a bola
[1] . Isso exigirá do atacante a atitude de passar da linha de marcação do defensor, de modo a deixá-lo em dúvida ("O que mantenho no meu campo visual: a bola ou o atacante?"); a induzi-lo para algum lugar "falso" (enganá-lo [2]
). Lembre-se: em futsal, por conta do espaço reduzido, ninguém pode jogar parado! É preciso criar as chamadas linhas de passe.

      Acelerar o passe: significa imprimir velocidade à bola. Lembre-se: a velocidade do passe, associada à atitude de fugir do campo visual do marcador, tendem a desequilibrar a defesa adversária! Evidentemente que o passe deve ser, além de veloz, preciso.

      Passar a bola para o espaço: significa passar a bola à frente do companheiro (no espaço vazio) para que este a encontre. Mas atenção: isso exigirá de quem recebe a atitude de se projectar no espaço! Lembre-se: lançar a bola para o vazio (nas costas do marcador) faz com que se ganhe uma vantagem territorial importante para se progredir no espaço e para se finalizar contra a meta adversária.

      Investir no jogo directo: significa procurar um jogo de finalização, de chutes contra a meta adversária, vertical. As acções anteriores tendem a facilitar o jogo directo (pois facilitarão a posse da bola e a progressão na quadra!) e evitar o chamado jogo indirecto, burocrático. Porém atenção: o jogo directo exclui a ideia de se buscar o gol de "qualquer jeito", apressadamente e de forma desorganizada.

 

Atitudes para defender

      Marcar, sempre que possível, atrás da linha da bola: significa que se deve respeitar a linha da bola. Esta é uma linha imaginária que passa sobre a bola em sentido perpendicular à quadra (de uma lateral à outra). Lembre-se: quem está atrás da linha da bola ocupa espaços preciosos, que seriam ocupados
pelo adversário!

      Manter o adversário no campo visual: para tanto quem marca deverá optar em acompanhar o adversário e não em manter o olhar na bola. Evidentemente que se for possível manter ambos (bola e adversário) no campo visual, melhor! Mas isso nem sempre acontecerá. Lembre-se: quem faz o gol é o jogador adversário! Logo, ele é quem deve ser marcado
[3] .

      Retorno defensivo: significa que os jogadores devem voltar para defender, ocupando a meia-quadra de defesa antes do adversário. Lembre-se: o retorno defensivo agrupa os jogadores e estes podem proteger a meta!

      Realizar coberturas: significa que se deve prestar atenção a quem se marca, mas também nos outros jogadores adversários; quem marca deve estar disponível para abandonar o seu marcador quando necessário. Lembre-se: os jogadores, quando defendem, devem ajudar uns aos outros!

      Feitas essas considerações, diria que as atitudes descritas neste texto facilitarão à equipe sustentar os princípios de ataque e de defesa de Bayer; elas servem de apoio para que os jogadores de uma mesma equipe interajam para atacar (comunicação) e para defender (contra comunicação
[4] ). Certamente, há outras tantas acções [5] que os jogadores e a equipe devem adoptar para atingir esses propósitos, como por exemplo, a escolha do posicionamento (sistema) mais adequado para atacar (3.1, 4.0 etc.) e para defender (zona, individual; a partir de que local da quadra). Entretanto, apostaria que sem considerar as atitudes anteriores o jogo ofensivo e defensivo de uma equipe de iniciados [6] seria um desastre. Portanto, cabe aos professores de futsal compreendê-las e ensiná-las.

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Estrutura da sessão de treino  Inserido Wednesday 26 March 2008 00:42

A Estrutura da Sessão de Treino

Os objectivos previamente definidos pelo treinador só poderão vir a ser alcançados através da vivência prática de um conjunto de exercícios correctamente inter-relacionados e organizados em diferentes sessões de treino, os quais se distribuem racionalmente ao longo de cada semana e de toda a época desportiva.

A Estrutura da Sessão de Treino

A sessão de treino tem uma duração muito variável e deve conter três partes distintas:
Parte preparatória ou aquecimento;
Parte principal ou fundamental;
Parte final ou de retorno à calma.

 

 Parte preparatória ou aquecimento

É a parte inicial e indispensável de todas as sessões de treino e de todas as competições em que o atleta vai intervir. É constituído por um conjunto de exercícios que têm por objectivo preparar o atleta para os esforços maiores que a seguir irão realizar-se e evitar o risco de lesões.

Recomendações Práticas:

O aquecimento deve ser progressivo : deve iniciar-se com uma intensidade fraca que aumentará gradualmente à medida que as diferentes estruturas do organismo se adaptem ao esforço. Evita-se, assim, o perigo de uma lesão ou de uma grande fadiga inicial.

O aquecimento deve ser prolongado: nunca deverá ser inferior a 15/20 minutos, pelas razões supra indicadas;

O aquecimento deve conter duas partes distintas mas complementares: o aquecimento geral e aquecimento específico:
Aquecimento geral: é a fase inicial e pode conter, por exemplo, uma parte de exercícios de pequena amplitude e de intensidade moderada, para a activação orgânica e alguns exercícios de alongamentos estáticos para prevenir o aparecimento de lesões;
Aquecimento específico: segue-se ao aquecimento geral e visa preparar o atleta para as situações concretas que vai encontrar a seguir.
Exemplo: se vai treinar velocidade deve fazer várias acelerações com intensidade crescentes; se vai treinar força, deve mobilizar os músculos que a seguir irá solicitar mais intensamente.

 

Aquecimento para o jogo

Deve obedecer a todos os princípios metodológicos indicados anteriormente, o que significa que, de início, deverá correr e realizar exercícios de alongamentos, após o que deverá exercitar as diferentes situações que o jogo contém.

Recomendações Práticas:

  • Deve iniciar-se cerca de 40 minutos antes do início da competição;
  • Deverá estar terminado 10 minutos antes do início desta;
  • Nesta fase, o praticante deverá concentrar-se e procurar manter o seu aquecimento, realizando alguns alongamentos;
  • Nunca deverá ser demasiado intenso, o que poderia retirar a capacidade de resposta, sobretudo no início do jogo. Este princípio é tanto mais válido quanto maior for a preparação física dos atletas;
  • Quando estes, após uma longa viagem, se sentem muito fatigados e não têm grande vontade de correr, necessitam de fazer um aquecimento mais forte que o habitual. Devem vencer essa inércia no aquecimento e nunca transportá-las para o jogo.

«Um bom aquecimento é uma condição indispensável para que os atletas possam começar bem a competição e um mau começo pode comprometer irremediavelmente o seu desempenho.»

 

Parte principal ou fundamental

 

Tem esta designação por ser nesta parte que se concretizam os objectivos previstos para a sessão de treino. Estes devem ser correctamente escolhidos e colocados adequadamente na estrutura organizativa da parte fundamental da sessão de treino. As outras duas partes (aquecimento e retorno à calma) são condicionadas e determinadas pelo conteúdo desta.

 

Recomendações práticas:

 

- O aperfeiçoamento da técnica, da velocidade de deslocamento ou da velocidade de reacção deverão ser trabalhadas logo a seguir ao aquecimento, isto é, sem fadiga;
- O treino da força pode ser realizado logo a seguir;
- O treino da resistência, ao contrário da prática tradicional, deverá ser preferencialmente realizado no fim da sessão;
- As anteriores indicações metodológicas pressupõem uma visão sectorial de cada capacidade motora, contudo, no jogo, todas estão integradas, pelo que a sua rentabilização exige que por vezes as técnicas e a velocidade sejam também solicitadas em situações de fadiga, tal como sucede na competição;
- Se pretendermos melhorar as resistências específicas, a duração desta fase deverá ser superior à do jogo ou, caso seja menor, deverá ter uma intensidade superior e um menor número de pausas;
- Se pretendermos melhorar a velocidade, a duração desta fase poderá ser inferior à da competição, mas com uma intensidade superior e um aumento de duração das pausas.

 

Parte Final ou de Retorno à Calma

 

Durante um jogo ou uma sessão de treino há uma grande activação de diferentes funções orgânicas e, por vezes, surge um estado de fadiga mais ou menos acentuado. Uma passagem súbita para uma situação de repouso não é conveniente e poderá comprometer o processo de recuperação. Se o aquecimento prepara gradual e progressivamente os atletas para o esforço que a seguir vão desenvolver, esta fase procura que o organismo transite gradualmente para a situação de repouso.
Todos os que já praticaram qualquer actividade física já viveram, certamente, a situação em que a seguir a um esforço e depois de tomar banho, continuam a transpirar, o que significa que o organismo ainda não retornou à calma.

 

Recomendações práticas:

 

Se existir uma grande situação de fadiga, deverá começar por umas corridas lentas e terminar com a realização de exercícios de alongamentos estáticos para os grupos musculares mais solicitados, que, no caso dos futebolistas, são os membros inferiores. Estes exercícios só deverão terminar quando os atletas de sentirem recuperados;

  • Se existir uma fadiga localizada, devida, por exemplo, à realização de exercícios de musculação, há que descontrair essa zona, realizando alongamentos.
  • O tempo de recuperação depende de uma adequada ingestão de líquidos durante e após o esforço, assim como da posterior alimentação.
  • Devem ser realizados exercícios de fraca e regressiva intensidade.

As características desta parte da sessão de treino são determinadas pela especificidade do trabalho realizado na parte fundamental

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