Página Inicial Data de criação : 08/01/12 Última actualização : 09/10/29 00:03 / 92 Artigos publicados
 

A (minha) estrutura da sessão de treino  (futsal concepções) Inserido Thursday 29 October 2009 00:03

PARTE INICIAL

 

Nesta parte da sessão de treino o objectivo principal será a preparação/adaptação fisiológica dos atletas para a exigência que a parte principal determina.

Assim, recorro a jogos e formas jogadas que, embora sirvam para atingir o objectivo principal, terão também sempre uma componente técnica e táctica bastante marcada. Esta componente servirá de ponte para estabelecer uma relação de continuidade e de coerência com os objectivos a atingir na globalidade da sessão de treino. Exige-se portanto que a selecção de conteúdos seja alvo de uma atenção bastante cuidada e, ao mesmo tempo, de uma intencionalidade notória de modo a que a interligação entre conteúdos seja feita de uma forma sequencial, sendo esta sequencialidade facilitadora das aprendizagens a efectuar.

Os exercícios elaborados deverão ser de uma exigência e de uma complexidade crescentes (na fase inicial deverão ser evitadas solicitações de grande amplitude muscular).

A duração desta parte não deverá exceder os 20’ e, como referido anteriormente, deverá promover uma intensidade crescente.

 

PARTE PRINCIPAL

 

Parte da sessão de treino onde o objectivo principal será a preparação dos atletas para as exigências específicas que o modelo/matriz de jogo adoptado encerra.

Nesta secção do treino devemos trabalhar todos os aspectos (técnicos/tácticos/físicos/psicológicos) que pretendemos ver consagrados na nossa forma de jogar. Nunca trabalho estes factores de forma isolada (nem nunca agi de forma diferente, embora à uns anos atrás esta perspectiva de treino não fosse tão consensual como hoje  é); entendo o jogo de forma global e complexa, não fazendo sentido, em minha opinião, compartimentar o jogo de forma desligada do objectivo final que é: jogar melhor, no fundo responder melhor, às questões que o jogo constantemente nos coloca. Assim sendo, todas as situações práticas constantes no treino, têm uma ligação directa com a matriz do “meu” jogo. Se quero jogar pelas alas, não faz sentido criar situações de treino em que a exigência e o objectivo não seja esse. Se defendo individualmente tenho que ter em conta se a introdução de uma forma jogada com superioridade faz sentido; pode fazer mas tenho que limitar/adaptar as funções do “jocker”; se pretendo privilegiar, por exemplo o factor físico, tenho que ter em conta a dimensão do espaço onde o exercício se vai desenvolver, bem como o número de jogadores intervenientes.

Por outro lado, em todas as sessões de treino que promovo introduzo sempre o jogo formal. Não entendo como se defende que os exercícios propostos se devem aproximar o máximo possível do jogo e depois de forma, para mim incompreensível, se exclui este que considero o exercício mais completo. Podem perguntar: onde entra aqui o importantíssimo princípio da especificidade? No jogo podemos e devemos introduzir a(s) forma(s) como queremos que a nossa equipa interprete os processos ofensivos e defensivos e aí poderemos testar o nível de aquisição, por parte dos nossos atletas, dos conteúdos específicos que tratamos na primeira fase da parte principal. Por outro lado, tenho sempre em conta o número de horas de que disponho para preparar a minha equipa; treinar três vezes não será a mesma coisa que treinar oito vezes por semana; é obvio que a forma de concretização da preparação da equipa seria outra se o número de sessões de treino fosse maior, mas esta não é a minha realidade nem será a da maioria das equipas do futsal nacional.     

Em cada sessão de treino devemos definir claramente os objectivos a atingir, de modo a que os mesmos sejam claros e perceptíveis para os atletas (se os responsáveis não perceberem o que querem, então não podem exigir aos outros uma resposta adequada).

Será preferível definir objectivos gerais mais circunscritos, por sessão de treino, subdividindo estes em vários objectivos específicos.

Mais vale pouco e bem do que muito e mal.

Nesta parte o improviso não deve ter lugar!

IMPROVISO NÃO TEM NADA A VER COM ADAPTAÇÃO!!!!!!!!!

 

PARTE FINAL

 

Parte da sessão de treino onde o objectivo principal será o inicio da recuperação do esforço resultante do trabalho executado na sessão de treino (iniciada, porque a recuperação também se faz após o treino!!!!!)

No inicio desta fase do treino poder-se-á executar finalização pura; ex: livres de 10 m sendo sempre fundamental proceder posteriormente aos respectivos alongamentos. A recuperação após o esforço é um trabalho que nunca deve ser descurado e os técnicos têm um papel muito importante na concretização desta parte tão importante do treino; uma boa recuperação é a chave do sucesso da sessão de treino seguinte

Como regra a adoptar devemos definir que os atletas só poderão ir para o duche após execução de uma sessão de alongamentos/estiramentos, sendo estes alvo de uma supervisão atenta, pelo menos na fase inicial da época desportiva.

 

Brevemente falamos mais… 

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Todos os comentários feitos ao artigo :
A (minha) estrutura da sessão de treino

  • ZM

    Mon 23 Nov 2009 00:55

    De uma maneira geral concordo com o teu artigo, mas há algumas partes que fico sem perceber muito bem, como quando falas do principio da especificidade...
    Na parte final do treino, não concordo quando dizes que o objectivo principal será "o inicio da recuperação do esforço" e depois trabalhas força explosiva (livres de 10m). Primeiro trata-se de um contra-senso e em segundo lugar não creio que seja a melhor altura para se trabalharem este tipo de esforços, pois na parte final do treino, em termos musculares, o atleta encontra-se desgastado, sendo os esforços propostos muito violentos, algo arriscados e, muito possivelmente, contribuidores para lesões musculares.
    Podes no entanto dizer: "mas os livres de 10 metros, no jogo real, acontecem na parte final do encontro", ao que sou obrigado a concordar! Mas que é arriscado, lá isso é!

    Um abraço