Quando tive contacto com esta modalidade fui
confrontado muito precocemente com a realidade de assumir o cargo
de treinador. Inesperadamente fui “empurrado” pelo
presidente do meu antigo clube para o exercício desta função,
reconhecendo hoje que foi o melhor empurrão que sofri até
hoje.
Desde esse tempo e já lá vão onze anos,
procurei interpretar toda as variáveis que influenciam o futsal.
Digo interpretar porque considero que quando se procuram soluções
para um problema, primeiro à que perceber o problema, a sua
realidade e origem e, só depois, encontrar as soluções adequadas
para a resolução desse mesmo problema. Foi assim na altura e é
assim ainda hoje.
Disse num artigo anterior que “nunca
fui atrás de pensamentos receita, que é como quem diz: se os outros
fazem será porque está certo. Não faço parte deste grupo, mas
aceito a sua existência; apenas entendo que, devido à tal
especificidade que toda a gente fala, a mesma deverá ser entendida
na sua plenitude”.
Esta forma de encarar o jogo e mais concretamente a sua componente
de treino, ainda fazem parte da minha maneira de
pensar.
Neste sentido, irei abordar aquilo que penso,
defendo e aplico nas equipas que tenho o prazer de
treinar.
Seria exaustivo abordar de uma só vez tudo
aquilo em que acredito, por isso irei compartimentar este artigo,
dando-lhe posteriormente sequência.
Começarei por fazer referência ao meu
entendimento relativamente a um aspecto tão importante como são as
situações de estratégia: lançamentos de saída, de linha lateral, de
baliza, faltas, cantos e por aí em diante.
Nunca fui adepto de jogadas de estratégia
rigidamente determinadas, antes sou como sempre fui, defensor
acérrimo da definição de posicionamentos para cada uma das
situações, com a aplicação de variáveis dentro desses mesmos
posicionamentos. Não consigo exigir aos meus atletas que
interiorizem, para um lançamento de canto, cinco ou seis
posicionamentos diferentes, sendo eles sinalizados oral ou
gestualmente. Num jogo onde as exigências de atenção/concentração
são tão elevadas, parece-me pouco razoável a introdução de mais
esta carga de informação. Para além de que as possibilidades de
insucesso são bastante elevadas para quem tem pouco tempo de treino
efectivo.
Costumo dizer aos meus atletas que para cada
posicionamento existem 3, no máximo 4 possibilidades de execução e
permito ainda a inspiração do momento ou, por outras palavras, a
adaptação a uma situação momentâneo do jogo; mas ao mesmo tempo
exijo a selecção adequada da acção a desenvolver para, por um lado
não anarquizar o jogo e por outro para não por em causa os
interesses da equipa – capacidade de decisão e sentido de
responsabilidade.
Acredito que um jogador será tanto melhor
quanto tiver a capacidade de tomar as decisões adequadas perante
cada situação problema.
Esta afirmação, actualmente, é consensual mas
à uns anos atrás
não era!!!