Iniciei a minha ligação ao G.D.R.Lameirinhas na época 1998/1999 na condição de jogador. Na época seguinte assumi as funções de treinador, nas quais me mantive até ao dia 17 de Maio do corrente ano.
Passara-se portanto dez épocas desportivas.
Desde logo tratou-se de uma ligação longa, o que nos dias de hoje aparenta algum carácter de anormalidade.
Parece no entanto que a mesma só aconteceu porque ambas as partes assim o entenderam, demonstrando empenho e dedicação para, época após época superar as imensas dificuldades a que, um clube do interior como o nosso está significativamente mais exposto.
Mas, como em tudo na vida, nada dura eternamente e por isso entendo que chegou a altura de terminar esta ligação que tanto me deu e que eu, da melhor forma que me foi possível, tentei corresponder.
Com a concretização do objectivo, manutenção no 2º escalão do Futsal Português, entendo que faz todo o sentido libertar o clube para a preparação tranquila da próxima época; penso que a minha presença poderia condicionar as acções a desenvolver, tendo em vista a preparação atempada para as “batalhas” desportivas futuras.
Estou de saída das funções que até agora desempenhei mas passo para o lado do adepto que vai apoiar (já no próximo sábado contra o Macedense), o desempenho de todos os que irão trabalhar para, no mínimo, manter o G.D.R.Lameirinhas ao nível a que já se encontra.
Desejo no entanto que, para o futuro, tudo o foi conseguido seja apenas um ponto de partida para mais e melhores conquistas.
Gostaria ainda de deixar uma palavra aos atletas que ao longo desta caminhada fizeram o favor de me aturar. Foram eles os protagonistas das muitas tardes bonitas que este clube se pode orgulhar de ter proporcionado. Desde o Rui Quelhas, ao Óscar, ao Hugo Monteiro, ao Kiwi e muitos outros que sempre me ajudaram, passando aos “meus” desta época (Bruno Lisboa, Bruno Torres, Bessa, Carlos, Caseiro, Fábio, Hélder, Marco China, Mocho, Paulinho, Pinto, Ricardo, Tiago e os que me têm aturado à mais tempo Rui Vendeiro, Traitas e Luís Fernandes).
Faço também uma referência especial aos sucessivos directores que sempre me apoiaram mesmo em circunstâncias complicadas.
Mas há uma pessoa que certamente é e será o Presidente que todos os treinadores desejam ter: Sr. João Carvalhinho. Além do apoio que sempre me deu, nunca me condicionou em qualquer decisão que tomei e que, não tenho dúvidas, nem sempre concordaria com elas. Desejo-lhe tudo de bom e que consiga aquilo que sempre quis: o melhor para o clube.
Para o final guardo uma palavra de admiração e reconhecimento para duas pessoas muito especiais: Paulo Camurça e Filipe Monteiro.
O primeiro foi o meu companheiro desde a primeira hora e aquele que tem como único defeito o não saber dizer não. Foi sempre o meu braço direito e esteve sempre do meu lado. Se fosse possível defini-lo numa só palavra diria: confiança. No entanto existem muitas outras que se poderão aplicar a esta grande pessoa e que seria exaustivo enumerar.
O segundo foi o meu capitão que, apesar de ter idade para continuar a jogar, passou para o meu lado (equipa técnica). Assumo a minha culpa; deixou de jogar porque sentiu que não seria opção regular, mas nem assim me abandonou. Quantos fariam igual? Poucos! Se calhar nem eu tomaria a mesma opção. Por isso será sempre o meu capitão.
Termino dizendo, que tomei seguramente a decisão mais difícil da minha vida, mas penso que é a mais correcta e a que serve melhor os interesses do meu clube.
Não digo adeus porque farei parte para sempre deste meu clube; ficarei como adepto e sempre disponível para colaborar em tudo o que me for possível.
UM GRANDE ABRAÇO A TODOS



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